| O estudo revela ainda, melhoria nas contas em atraso |
Neste mês de janeiro, a Pesquisa
sobre Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pela Federação
do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), revela que 64,7% dos
consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida. O índice veio
5,4 pontos percentuais abaixo do indicador do último mês de dezembro (70,1%) e
acompanhado de significativa melhoria nas contas em atraso, que tiveram o
melhor resultado desde junho de 2015, e iniciam o ano com 19,9%.
A
proporção dos consumidores com contas ou dívidas em atraso teve redução de -2,8
pontos percentuais, passando de 22,7%, em dezembro, para 19,9% neste mês – o
melhor resultado desde junho de 2015 (19,0%).
Os problemas financeiros afetam mais as mulheres (21,8% dos
entrevistados desse grupo afirmaram possuir contas em atraso), os consumidores
do grupo com idade superior a 35 anos (20,6%) e do estrato com renda familiar
abaixo de cinco salários mínimos (20,3%).
O
tempo médio de atraso é de 72 dias e a principal justificativa para o não
pagamento das dívidas é o desequilíbrio financeiro - a diferença entre a renda
e os gastos correntes – citado por 74,7% dos consumidores. O segundo motivo
mais citado é o adiamento por conta do uso dos recursos em outras finalidades,
com 24,7%, seguido da contestação da dívida (6,8%).
Comprometimento de Renda
Em Fortaleza 64,7% dos
consumidores possuem algum tipo de dívida. Os instrumentos de crédito mais
utilizados pelos consumidores são: (a) cartões de crédito,
citados por 80,04% dos entrevistados; (b) financiamento bancário (veículos,
imóveis etc.), com 13,9%; (c) empréstimos pessoais, com 8,0%; e (d) carnês e crediário, com 5,9%.
O consumidor utilizou o crédito para a compra
de:
•Itens de alimentação (54,4% das respostas);
•Artigos de vestuário (40,5%);
•Eletroeletrônicos (32,6%); e
•Realização de despesas de educação e saúde
(29,3%).
O valor médio das
dívidas é estimado em R$ 1.312, com prazo médio de sete meses, comprometendo
32,8% da renda familiar dos consumidores com o seu pagamento.
Inadimplência potencial
A
taxa de inadimplência potencial, ou seja, a proporção de consumidores que não
terão condições financeiras para honrar seus compromissos, teve aumento de 2,1
pontos percentuais, passando de 7,2%, em dezembro, para 9,3%, neste mês. Apesar
do crescimento, a taxa está abaixo da média dos últimos doze meses (9,4%).
A
taxa está se ajustando após atingir, em agosto de 2015, o patamar mais elevado
da série histórica iniciada em 2010, quando a atual metodologia passou a ser
adotada pelo IPDC. O perfil do consumidor inadimplente mostra preponderância do
grupo de consumidores do sexo feminino (inadimplência potencial de 9,8%), com
idade acima de 35 anos (10,2%) e renda familiar inferior a cinco salários
mínimos (9,9%).
Orçamento familiar
A
Pesquisa de Endividamento também revela que 79,2% dos consumidores de Fortaleza
afirmam fazer orçamento mensal e acompanhamento eficaz dos seus gastos e
rendimentos, o que contribui para um melhor controle dos níveis de
endividamento. Dos entrevistados, 9,3% relataram que fazem orçamento dos
rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 11,5% informaram não possuir
orçamento e tampouco controle dos gastos.
A
falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do
endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou
inadimplência. Dos fatores que os consumidores consideram que mais contribuem
para esse problema, listam-se:
•
A
falta de orçamento e controle dos gastos, com 42,8%;
•
O
aumento dos gastos considerados essenciais, com 27,7%;
•
Compras
antecipadas, com 21,9%;
•
As
compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 19,8%;
•
Facilidade
e oferta de crédito, com 13,9%;
•
Redução
dos rendimentos, com 12,8%
•
Gastos
imprevistos, com 11,0%; e
•
Desemprego,
com 11,0%.
Saiba mais
O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do
Comércio (IPDC) da Fecomércio/CE foi criado para suprir a ausência de
informações práticas e de dados estatísticos confiáveis que auxiliassem as
ações de planejamento e de desenvolvimento das empresas do segmento de comércio
de bens, serviços e turismo. O Instituto realiza e desenvolve pesquisas,
sobretudo, de viés econômico, fornecendo dados referentes ao comportamento do
consumidor, a situação econômica do comércio local e as tendências de mercado e
de consumo dos fortalezenses.
A pesquisa de
Endividamento é realizada
mensalmente e tem como objetivo indicar a capacidade de endividamento do
consumidor de Fortaleza, visando conhecer o comprometimento financeiro desse,
em relação ao comércio local. Quatro indicadores distintos são verificados
nessa pesquisa: Taxa de Consumidores com Contas ou Dívidas em Atrasos; Taxa de
Comprometimento da Renda do Consumidor; Taxa de Inadimplência em Potencial e
Planejamento Financeiro e Orçamento Familiar. Mensalmente, cerca de mil
consumidores da região metropolitana de Fortaleza são entrevistados pelo IPDC
para a realização desta pesquisa. FECOMÉRCIO/CE
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