sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Historias de Sabiaguaba: Barracas e Pescadoras de Mariscos


Hoje um pequeno comércio onde Jocélia recebe pedidos de alguns mariscos e também prepara pratos saborosíssimos é o complemento principal da renda familiar dos pesqueiros. O cardápio do restaurante é bastante variado vão desde os mariscos como camarão, ostras, caranguejo ate aos pescados como tilapiá, sardinhas etc. Ela fala que atividade tem tomado novos rumos por aqui à escassez e desaparecimento de algumas espécies dificultam a sobrevivência desde que a maioria dos produtos necessários à sustentação familiar antes extraído daqui vem de fora, ou seja, comprado de outra região.
Dona Jocélia, 58 anos, Pescadora, Marisqueira e comerciante. [Foto: Dyhonstas Fernandes]


Jocélia como gosta de ser chamada é descendente da tribo indígena (Nabuco), nativa da Sabiaguaba, desde criança pescava de rede para ajudar seus pais a criar os outros irmãos. Quando se casou continuou na atividade junto com seu esposo para criar seus filhos e atualmente os seus netos e bisnetos, a pesca sempre foi a principal atividade e fonte de renda dessas famílias, “antes tudo aqui era mais fácil tínhamos fartura de tudo, pescávamos camarão, ostras, caranguejo, etc. Hoje é diferente!”. Ressaltou a marisqueira.


Atualmente os nativos enfrentam outro grande desafio, a possibilidade de desapropriação do local onde sempre viveram e construíram suas respectivas suas famílias. Os fatos apontados para tal situação são os mais diversos, representantes municipais afirmam que a população esta avançando muito o rio causando assoreamento da área que faz parte do parque do cocó, que representa hoje os últimos 3% de floresta que fortaleza tem.
Com toda sua simplicidade e sabedoria dona Jocélia explica que as graves alterações sofridas no parque como poluição dos rios, mortes de peixes e desaparecimento de espécies, são de grande parte fruto dos empreendimentos construídos dentro da aera e não somente dos nativos.

A moradora faz um apelo os governantes para que cumpram com suas promessas feitas perante a população, cobrando também melhorias tanto na saúde, educação e segurança e reforça, “Não somos contra a construção do parque queremos apenas a garantia dos nossos direitos e um deles é fazer parte do parque como sempre fizemos”.

Como vai ser a minha vida se isso acontecer?  Para onde iremos?  Iremos viver de quê?

Esses são os questionamentos feitos não apenas por dona Jocélia, mas por todos os moradores e nativos que tem a Sabiaguaba como única fonte de sobrevivência.



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